Um tribunal das Filipinas ordenou a prisão da vice-presidente Sara Duterte, de 48 anos, nesta sexta-feira (4), sob a acusação de ter feito ameaças graves contra o presidente Ferdinand Marcos Jr., a primeira-dama Liza Araneta-Marcos e o ex-presidente da Câmara, Martin Romualdez.
O mandado de prisão estabelece fiança de 120 mil pesos (cerca de US$ 1.900) para cada uma das três acusações. A defesa de Duterte afirmou em nota que a vice-presidente não pretende fugir da lei e que utilizará todos os recursos jurídicos disponíveis, independentemente de questões de jurisdição.
O caso teve origem em uma coletiva de imprensa virtual realizada em novembro de 2024. Na ocasião, Duterte afirmou ter dado ordens para que o presidente, a primeira-dama e Romualdez fossem mortos caso ela fosse assassinada. As declarações fazem parte de uma denúncia de impeachment que também aponta mau uso de verbas públicas durante sua gestão como vice-presidente e secretária de Educação.
Duterte enfrenta atualmente um julgamento no Senado filipino, que atua como corte de impeachment. Se for condenada, ela poderá ser removida do cargo e impedida de disputar as eleições nacionais de 2028, nas quais pretende concorrer à presidência. A lei do país permite que candidatos concorram a cargos públicos mesmo com processos criminais em andamento.
A presidência das Filipinas declarou em nota que respeita a decisão judicial. Jean Encinas-Franco, professora de ciência política da Universidade das Filipinas, afirmou que a lei finalmente alcançou a vice-presidente, mas questionou o momento da liberação do mandado, sugerindo que a medida pode afastar críticas de que Marcos seria um líder fraco.
A vice-presidente é filha do ex-presidente Rodrigo Duterte, que aguarda julgamento no Tribunal Penal Internacional, em Haia, por mortes ligadas a uma campanha contra as drogas. Apesar das controvérsias, a família mantém apoio popular e pesquisas recentes indicam que Sara Duterte é a candidata preferida dos filipinos para suceder Marcos.


