Cerca de 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo, classificado como plataformizados, representa 1,9% do total de ocupados no país.
O levantamento indica que 1,2 milhão desses profissionais atuam no transporte de passageiros, sendo 1,1 milhão em plataformas como Uber e 99. Outros 376 mil trabalham com entregas de comida e produtos, enquanto 313 mil prestam serviços gerais ou profissionais, como tradução e telemedicina. No setor de transporte, armazenagem e correios, 75% dos trabalhadores utilizam aplicativos.
Para quem tem a atividade como ocupação principal, o número subiu de 1,3 milhão em 2022 para 1,8 milhão em 2025, um crescimento de 36,8% em três anos. Entre esse grupo, 84,4% são homens e 47% têm entre 25 e 39 anos. A principal motivação para a escolha do trabalho foi a dificuldade em encontrar outras oportunidades.
A jornada semanal dos plataformizados foi de 44,7 horas, superior às 39,3 horas dos demais trabalhadores do setor privado. Embora o rendimento médio mensal tenha sido similar, de R$ 3.147, o valor por hora trabalhada é 12% menor: R$ 16,2 contra R$ 18,4 dos não plataformizados.
A precariedade social é evidenciada pelos índices de informalidade, que atingem 72,1% dos trabalhadores de apps, comparado a 42,7% do restante dos ocupados. Apenas 34% dos plataformizados possuem cobertura previdenciária, enquanto 63% dos demais trabalhadores têm esse amparo.
Cerca de 1,6 milhão de pessoas se declararam trabalhadores por conta própria, mas o IBGE aponta dependência das plataformas. Entre motoristas de apps, 80,2% afirmam que o valor a receber por tarefa depende totalmente da empresa. Para entregadores, esse índice é de 78,3%.
Os dados surgem enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a chamada uberização. Representantes da categoria buscam o reconhecimento de vínculo empregatício para evitar a precarização, embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha emitido parecer contrário ao reconhecimento desse vínculo.


