A Assembleia Geral da ONU vota nesta sexta-feira (4) uma resolução para abandonar gradualmente o tradicional mapa de Mercator. A proposta, patrocinada pelo Togo e apoiada pelos 54 Estados-membros da União Africana e pela França, visa adotar uma representação cartográfica que mostre o tamanho real da África.
O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, afirmou que a medida não é uma discussão política, mas científica. A representação atual, criada pelo cartógrafo Gerardus Mercator em 1569 para navegação, distorce áreas próximas aos polos e reduz regiões equatoriais. Isso faz com que a Europa e a América do Norte pareçam maiores do que são, enquanto a África e a América do Sul são visualmente reduzidas.
Para ilustrar a distorção, a resolução aponta que a Groenlândia aparenta ter o mesmo tamanho da África, embora o continente africano seja 14 vezes maior que a ilha ártica. O Brasil, isoladamente, é quatro vezes maior que a Groenlândia. A campanha promove o uso do design Equal Earth, desenvolvido em 2018 por cartógrafos internacionais.
Historiadores e geógrafos argumentam que a projeção de Mercator reforça estereótipos ocidentais e o chamado colonialismo cartográfico. Segundo a apuração, essa distorção teria moldado relações de poder internacionais ao minimizar a presença física do Sul Global, influenciando estruturas educacionais e prioridades de desenvolvimento.
JJ Enoch, consultor da empresa JS Held, informou que a iniciativa reflete a busca de países africanos por maior influência em instituições globais e controle sobre a representação do continente. O Ministério das Relações Exteriores da França declarou que abandonará a projeção de Mercator em favor de representações mais fiéis às áreas reais.
Se aprovada, a resolução poderá atualizar currículos escolares e tecnologias digitais. O governo do Togo planeja um evento em Lomé, capital do país, no primeiro trimestre de 2027, com a Unesco, a União Africana e empresas como o Google Maps para definir a implementação da medida.


