O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia indicar o desembargador Ricardo Couto, atual governador interino do Rio de Janeiro, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A medida, cogitada para debelar a crise entre ministros da Corte, implicaria a desistência da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União (AGU).
Apoiadores da indicação de Couto argumentam que o gesto demonstraria respeito institucional e ajudaria na pacificação do Judiciário. O magistrado, que assumiu o Executivo fluminense em março após a renúncia de Cláudio Castro, não integra o círculo próximo do presidente, mas possui 47% de aprovação entre os eleitores do Rio de Janeiro, segundo pesquisa Datafolha.
A escolha de Couto poderia significar derrota política para Lula, que já manifestou intenção de reapresentar o nome de Messias após rejeição no Senado. Por isso, uma ala do governo defende que a desistência seja acompanhada da demissão do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Aliados afirmam que Rodrigues perdeu condições de liderar a corporação e estaria alinhado a ministros do STF contra interesses do Planalto.
O clima de tensão envolve disputas sobre investigações do Banco Master. O ministro André Mendonça determinou relatório da PF que expôs mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O embate escalou para a AGU, que se manifestou contrária a pedidos da PF para reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre inquéritos sob sua relatoria.
O ministro Gilmar Mendes chegou a cobrar de Lula apoio à cúpula da PF na última terça-feira (1º). A proximidade de Andrei Rodrigues com Gilmar e Moraes é vista por colaboradores do presidente como um incentivo à crise no tribunal. Para estancar o conflito, o governo consideraria o sacrifício de Messias e Rodrigues, situados em lados opostos da disputa.
A crise no STF se agravou após a rejeição de Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, em articulação atribuída a Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Lula foi aconselado a agir para evitar que o conflito domine a agenda eleitoral a um mês do primeiro turno.


