O Brasil registrou cerca de 2 milhões de pessoas exercendo atividade profissional por meio de aplicativos de serviços em 2025, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O grupo é composto majoritariamente por motoristas de transporte particular de passageiros, que somam 1,1 milhão de pessoas (53,9%). Na sequência estão os entregadores de comida e produtos, com 585 mil profissionais (29,9%), seguidos por prestadores de serviços gerais (313 mil) e taxistas (232 mil). O levantamento indica que 1,8 milhão desses trabalhadores utilizam as plataformas como atividade principal, um crescimento de 36,8% em relação a 2022.
A jornada semanal média dos plataformizados foi de 44,7 horas, superando em 5,4 horas a média de 39,3 horas registrada em outras ocupações do setor privado. A informalidade atinge 72,1% da categoria, enquanto entre os profissionais fora das plataformas o índice é de 42,7%. Apenas 34% dos trabalhadores de apps contribuem para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), contra 63% dos demais ocupados no setor privado.
Em termos financeiros, a renda média por hora foi de R$ 16,20, valor 12% menor que a média de R$ 18,40 dos não plataformizados. A disparidade é mais acentuada entre profissionais com ensino superior: o rendimento dos trabalhadores de apps foi de R$ 27,70 por hora, 25,3% inferior aos R$ 37,10 recebidos por quem atua fora das plataformas. Já para quem possui ensino fundamental incompleto, a renda nos aplicativos foi 11,5% maior.
O rendimento mensal médio do trabalho principal ficou estagnado em R$ 3.147, enquanto a média do setor privado subiu 4,1% em termos reais desde 2024. Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, explicou que a estabilidade salarial pode ser reflexo do aumento da oferta de trabalho nas plataformas. A flexibilidade (26,8%) e a falta de outro emprego (24,6%) foram as principais motivações para a atividade.
O perfil demográfico é predominantemente masculino, representando 84,4% dos trabalhadores principais. A faixa etária mais expressiva é a de 25 a 39 anos (47%). Além dos serviços, o IBGE estimou 210 mil pessoas que utilizam marketplaces de comércio eletrônico para vender produtos, grupo no qual as mulheres são maioria, com 51,8%.


