O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protocolou petição acusando o ministro André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O documento foi entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, e utiliza o inquérito das fake news para fundamentar as alegações contra o colega.
A crise teve início na quarta-feira (2), quando Mendonça, relator do caso Banco Master, levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF). O documento continha 51 mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Em resposta, Moraes alega que Mendonça quebrou a imparcialidade judicial e favoreceu grupos políticos nas operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Na petição de 20 páginas, Moraes sustenta que Mendonça usurpou a direção de investigações policiais e prejudicou a produção de provas ao afastar a observância da cadeia de custódia. O texto afirma que o ministro teria direcionado alvos para investigação, citando o próprio nome e o do senador Davi Alcolumbre, por motivações pessoais e políticas.
O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, delegado Andrei Rodrigues, se manifestem em cinco dias. Fachin busca esclarecer se houve acesso indevido às apurações por parte de investigados antes de decidir se encaminha a discussão ao plenário.
Mendonça, por sua vez, solicitou que Fachin inclua os indícios contra Moraes na pauta de julgamentos para que os demais ministros decidam sobre a abertura de um inquérito. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia recomendado o arquivamento do relatório e a nulidade das provas.
Moraes cita um relatório de inteligência da PF que indica que Mendonça demonstrou interesse no início de investigação formal contra ele. O documento menciona que o ministro indagou sobre dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e que informações podem ter sido transmitidas ao gabinete de Mendonça fora dos autos.


