O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a indicação do governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento ocorre em meio a um conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e pressões para a substituição do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Ricardo Couto, que também é presidente do Tribunal de Justiça do Rio, tornou-se alternativa concreta para o Planalto devido ao seu perfil de magistrado de carreira. Segundo interlocutores do presidente, a escolha permitiria apresentar a indicação como um gesto de pacificação institucional, distanciando o governo do desgaste provocado pelo embate no STF.
A nomeação poderá ocorrer após o primeiro turno da eleição presidencial, dependendo da intensidade da crise e de acordos com a cúpula do Congresso, especialmente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A decisão implica desistir, momentaneamente, da indicação de Jorge Messias, que já havia sido rejeitada pelos senadores.
Paralelamente, Lula enfrenta cobranças de setores do governo e do Legislativo para demitir Andrei Rodrigues da direção da PF. A permanência do diretor é vista por críticos como insustentável, sob a alegação de que ele não teria controle sobre a corporação e possuiria maior fidelidade ao ministro Alexandre de Moraes do que ao presidente.
Auxiliares de Lula rechaçam a troca imediata para evitar que a crise do Supremo seja atraída para o Palácio do Planalto durante o processo eleitoral. O presidente teria demonstrado incômodo com a atuação do diretor, mas a avaliação atual é de que a substituição ocorra apenas em um eventual novo governo.
Aliados de Rodrigues argumentam que a instabilidade na Polícia Federal é estimulada pelo próprio Supremo e que nenhum gestor conseguiria controle total sobre a instituição no cenário atual.


