O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, na noite desta quinta-feira (3), um vídeo defendendo que todos os envolvidos em denúncias no Supremo Tribunal Federal (STF) sejam investigados, sem blindagens. A iniciativa, sugerida pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, visa distanciar o presidente do ministro Alexandre de Moraes diante da crise na Corte.
A decisão de falar publicamente ocorreu após Lula conversar com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o ministro Gilmar Mendes. Até então, a estratégia do Planalto era evitar o assunto, delegando posicionamentos ao presidente do PT, Edinho Silva, que já havia defendido que ninguém está acima da lei.
No vídeo, Lula mencionou a prisão de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ocorrida durante seu governo. O presidente também criticou a ocorrência de “vazamentos seletivos”, referência ao ministro André Mendonça, responsável por retirar o sigilo de materiais que expuseram diálogos entre Vorcaro e Moraes.
A publicação coincidiu com o pedido de Moraes a Fachin para a abertura de uma investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade. Enquanto os dois ministros escalavam o confronto, Lula pregou a reforma das instituições e a apuração de todos os lados.
A campanha presidencial avalia que a proximidade política entre Lula e Moraes, consolidada após os eventos de 8 de janeiro, tornou-se um passivo. As mensagens entre o ministro e Vorcaro inviabilizaram que o magistrado fosse tratado apenas como símbolo da defesa da democracia.
Embora a equipe de Lula acredite que não haja evidências que liguem o presidente diretamente ao escândalo, admite que o episódio coloca o governo na defensiva. A crise institucional rouba espaço de temas prioritários da campanha, como renda e emprego, e gera desgaste pela percepção de corrupção em Brasília.


