O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (4), que promoverá uma discussão profunda sobre a reforma do Poder Judiciário no próximo ano. A declaração ocorreu durante cerimônia no Palácio do Planalto, onde o mandatário defendeu a necessidade de medidas que permitam à população voltar a acreditar na Justiça.
Esta é a terceira vez que o presidente menciona uma reforma no sistema judiciário desde o início da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Em pronunciamento na quinta-feira (3) sobre o chamado Caso Master, Lula defendeu a realização de investigações independentemente de quem sejam os envolvidos e cobrou do STF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) a liderança de um processo que garanta a integridade das apurações.
Durante o evento desta sexta-feira, Lula criticou quem utiliza cargos públicos para obter benefícios pessoais. O presidente não citou nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, cuja relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi exposta recentemente.
O presidente do STF, Edson Fachin, também falou sobre a crise e afirmou que a resposta da Corte será firme, proporcional e rigorosa. Fachin citou a urgência de três metas de gestão: a adoção de um código de ética, a modernização do sistema de Justiça e o fim do inquérito das fake news.
A crise na Suprema Corte começou na terça-feira (1º), quando o ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de ação sobre a investigação de Vorcaro e de mensagens trocadas com Moraes. Documentos indicam que o banqueiro questionou o ministro sobre a possibilidade de deixar o país antes de uma eventual prisão em novembro de 2025.
Nas mensagens, Vorcaro pediu que Moraes interviesse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para adiar ações da corporação. O ministro Mendonça deve entregar o relatório sobre o caso nos dias 7 ou 8 de setembro e solicitou sessão do plenário para analisar se Moraes deve ser investigado.


