As taxas do Tesouro Direto recuaram nesta sexta-feira (4), com destaque para os títulos atrelados à inflação. O Tesouro IPCA+ 2032 registrou a maior queda, caindo de 7,94% no fechamento de quinta-feira para 7,81% às 12h07, o menor nível registrado desde o dia 29 de maio.
Outros títulos de inflação também apresentaram recuo. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 baixou de 7,60% para 7,51%, enquanto o de 2040 caiu de 7,39% para 7,30%. Nos papéis prefixados, a retração foi menor: o título com vencimento em 2032 recuou para 14,23% e o com Juros Semestrais 2037 caiu para 14,29%.
O movimento ocorreu apesar de dados do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, que informou a criação de 162 mil vagas em agosto, número superior às 56 mil projetadas. A taxa de desemprego americana ficou estável em 4,1%. Segundo o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, o resultado reforça a tese de que o emprego nos EUA segue sólido, sem sinais claros de deterioração.
No Brasil, a desaceleração da economia, evidenciada pela produção industrial fraca de julho, sugere espaço para uma nova redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. O Tesouro Nacional também facilitou a colocação de papéis, emitindo R$ 191,9 bilhões em agosto, o maior volume mensal de 2026.
Sérgio Goldenstein, fundador da consultoria Eytse Estratégia, afirmou que o Tesouro aproveitou janelas de melhora nas condições de mercado para recompor emissões de títulos com risco de mercado. O quadro político também influenciou o dia, com o Ibovespa perdendo os 184 mil pontos e o dólar comercial subindo para R$ 5,13, após pesquisa Datafolha e crise no Supremo Tribunal Federal.


