O ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou desejo pessoal de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por questões políticas. A informação consta em relatório da PF que subsidiou pedido de providências enviado por Alexandre de Moraes à presidência da Corte nesta quinta-feira (3).
Segundo o documento, Mendonça teria ameaçado Rodrigues com afastamento cautelar das funções. O ministro afirmou reiteradamente que o diretor-geral mantém proximidade inadequada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que impediria a confiança no cargo. A PF assinalou que, até o momento, não foram apontados fatos concretos que denotem atuação irregular.
Quanto a Paulo Gonet, o relatório indica que Mendonça pretendia transformá-lo em testemunha de ação penal. O argumento utilizado seria que a proximidade do procurador-geral com o ministro Gilmar Mendes o tornaria indigno de confiança. A PF explicou que tal medida geraria incompatibilidade com a titularidade da ação, resultando no afastamento de Gonet.
As revelações surgem após Mendonça expor conversas de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em depoimento organizado com o juiz auxiliar de Mendonça, Vorcaro manifestou interesse em delatar pessoas do governo e citou Andrei Rodrigues, alegando que a relação entre eles excederia os limites institucionais.
Andrei Rodrigues declarou que participou de evento patrocinado pelo Banco Master sem ter conhecimento da relação comercial, que teria sido omitida. Já Vorcaro afirmou que viajou com o diretor-geral e sua namorada. O banqueiro sustenta que a PF rejeitou sua proposta de delação premiada porque Rodrigues chefia a corporação.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) negou a existência de acordo com o criador do Banco Master.


