O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra o ministro André Mendonça. O pedido baseia-se em relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) que apontam supostos indícios de crimes na condução de inquéritos sob a relatoria de Mendonça.
Um dos documentos cita que Mendonça teria manifestado a intenção de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo o relatório, o ministro afirmou em reuniões que Rodrigues mantém proximidade inadequada com o presidente da República, o que impediria a confiança no cargo. A PF ressalvou que o material não possui valor probatório e que, até o momento, não foram apresentados fatos concretos de atuação irregular do diretor.
A medida ocorre após Mendonça retirar o sigilo de um relatório na última segunda-feira, que revelou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviadas a Moraes. O conteúdo mostrava que Vorcaro tentou contatar o ministro antes de ser preso para questionar se deveria deixar o Brasil. Em resposta, Moraes determinou que a PF encaminhasse ao Supremo relatórios de inteligência que mencionassem integrantes da Corte.
Moraes aponta que haveria fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. As irregularidades citadas dividem-se em três frentes: a suposta usurpação da direção de investigações, a participação indevida em tratativas de colaboração premiada e o direcionamento de apurações contra o próprio Moraes e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por motivações pessoais e políticas.
Internamente, a PF já questionava decisões de Mendonça. Em julho, a corporação acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar determinações do ministro sobre a Operação Sem Desconto, que apura esquemas de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O caso agora segue sob a responsabilidade de Edson Fachin.


