O governo de São Paulo incluiu a febre do Nilo no painel de diagnóstico de arboviroses realizado por 73 unidades sentinela de saúde em todo o território. A decisão ocorre após a confirmação dos dois primeiros casos da doença na história do estado, registrados nas cidades de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
A medida visa monitorar a distribuição do vírus, embora a coordenadora da Vigilância em Saúde do estado, Regiane de Paula, tenha afirmado que não há preocupação com uma possível epidemia. O sistema de sentinelas, composto por Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais ou UPAs, já realizava a testagem de dengue, zika, chikungunya, mayaro, oropouche e febre amarela.
Pacientes com sintomas de arbovirose atendidos nessas unidades passam por coleta de amostras enviadas ao Instituto Adolfo Lutz. A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do estado, Tatiana Lang, informou que São Paulo é o primeiro estado a implantar esse sistema de sentinelas e a incluir a febre do Nilo no painel de diagnóstico diferencial.
A doença é transmitida pela picada do mosquito Culex, o pernilongo comum, que se contamina ao picar aves silvestres, hospedeiras naturais do vírus. Segundo Regiane de Paula, existe uma rota migratória de aves vinda da Argentina que passa por Santa Catarina e São Paulo.
A coordenadora explicou que as características dessas aves migratórias estão se diferenciando devido ao El Niño e à previsão de um super El Niño. O monitoramento busca avaliar os impactos dessas mudanças no território paulista.
Fora de São Paulo, Santa Catarina confirmou dois casos da doença este ano, nas cidades de Caçador e Imbituba. Um desses pacientes evoluiu para óbito.


