O governador da Saxônia-Anhalt, Sven Schulze, tenta reverter a tendência das pesquisas para evitar que a Alternativa para a Alemanha (AfD) assuma o governo do estado no próximo domingo (6). A sigla de ultradireita lidera as sondagens com mais de 40% das intenções de voto, enquanto a União Democrata Cristã (CDU) de Schulze registra, no máximo, 24%.
Schulze, de 47 anos, aposta que a AfD não conquistará a maioria absoluta das cadeiras no Parlamento estadual nem conseguirá formar coalizões. O cenário é monitorado por autoridades de proteção da Constituição, que classificam o diretório estadual da AfD como uma organização extremista de direita. O estado possui cerca de 2,1 milhões de habitantes.
O governador, que assumiu o cargo em janeiro sucedendo Reiner Haseloff, tem focado a campanha em temas regionais para se distanciar da imagem do chanceler federal, Friedrich Merz. Schulze afirma que seu objetivo é levar as demandas da Saxônia-Anhalt para Berlim, evitando a importação de pautas da capital para o estado.
Durante a disputa, Schulze dividiu palcos com o humorista Dieter Hallervorden, apesar de críticas da cúpula nacional da CDU. O governador defendeu a liberdade de expressão e utilizou a parceria para atrair público, mesmo com o artista criticando a política de rearmamento do governo federal e exibindo mensagens sobre o conflito em Gaza.
Em entrevistas, Schulze acusou a AfD de querer retornar ao isolamento da era da Alemanha Oriental. Ele citou o uso do hino da antiga República Democrática da Alemanha em eventos do partido como prova de que a sigla deseja retomar a época dos muros. O governador defende a manutenção da orientação europeia do estado.
Para combater a ultradireita, o engenheiro econômico foca em questões práticas, como a dependência de trabalhadores estrangeiros por empresas locais e a gestão da saúde. Na reta final, o chanceler Friedrich Merz realizou apenas duas breves visitas ao estado, aparecendo em uma fábrica e em uma catedral ao lado de Schulze.


