O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem adotado movimentos para se distanciar do senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ). A mudança de postura ocorre em meio a uma crise no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Pressionado pela oposição a abrir processo de impeachment contra Moraes, Alcolumbre passou a cobrar que as investigações do caso Master alcancem também o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na quinta-feira (3), o parlamentar questionou a falta de apuração sobre R$ 130 milhões destinados ao filme “Dark Horse”, biografia de Jair Bolsonaro.
Áudios da Polícia Federal indicam que Flávio Bolsonaro negociou pagamentos com Daniel Vorcaro, executivo do Master, para bancar a produção. O movimento de Alcolumbre é visto por integrantes do Congresso como uma estratégia de sobrevivência política para evitar o fortalecimento de André Mendonça, relator dos casos Master e INSS, com quem o presidente do Senado possui relação desgastada desde a indicação à Corte.
A tensão no STF escalou na quinta-feira, quando Moraes solicitou que Mendonça seja investigado por indícios de crimes na condução de inquéritos, especialmente o do escândalo do Master. O pedido ocorreu dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens de Vorcaro ao próprio Moraes.
Em resposta, a campanha de Flávio Bolsonaro decidiu incluir Alcolumbre em ataques que associam o presidente do Senado a Moraes e ao presidente Lula. O candidato grava conteúdos para apresentar Alcolumbre como parte de uma articulação política conduzida pelo ministro do Supremo.
Aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que a menção aos recursos do filme “Dark Horse” foi um contra-ataque direto. Nesta sexta-feira (4), o candidato citou a existência de um encontro entre Moraes e Alcolumbre ocorrido pouco antes de o ministro pedir a investigação de André Mendonça.


