Escritórios de advocacia no Brasil passaram a estruturar a presença digital para serem reconhecidos por ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini e Perplexity. A movimentação acompanha o crescimento do GEO (Generative Engine Optimization), estratégia que busca tornar profissionais referências nas respostas geradas por IA para atrair demanda sem ferir normas éticas.
Uma pesquisa da Hedgehog Digital indica que oito em cada dez brasileiros utilizam inteligência artificial para realizar pesquisas. O cenário altera a forma como clientes buscam advogados, substituindo a dependência de indicações pessoais e networking tradicional por consultas digitais.
Eduardo Araújo, fundador da DigitaJus, afirmou que o maior risco atual para os escritórios é a invisibilidade nessas buscas. Segundo o executivo, as IAs buscam fontes digitais e priorizam quem possui sites institucionais bem construídos e conteúdos estratégicos, como artigos profundos e páginas de serviços estruturadas.
Araújo explicou que o GEO funciona como um ativo digital, diferindo do tráfego pago, que interrompe os resultados assim que o investimento cessa. Um artigo bem posicionado, segundo ele, pode atrair clientes por anos sem custos adicionais.
A adoção da tecnologia também ocorre internamente no setor. Um levantamento da OAB, em parceria com Trybe, Jusbrasil e ITS Rio, revelou que 77% dos profissionais do Direito utilizam IA generativa ao menos uma vez por semana no trabalho, e 76% a utilizam para elaborar peças processuais.
Sobre a automação, o fundador da DigitaJus avaliou que a tecnologia deve potencializar, e não substituir, o relacionamento humano. Ele informou que ferramentas de conteúdo programado e atendimento inicial via WhatsApp servem para escalar a atração de leads, mas a presença do advogado permanece essencial na consulta e na decisão final.
Para Araújo, a advocacia brasileira vive uma mudança estrutural onde a IA assume tarefas de execução, como a redação de peças e pesquisa de jurisprudência. Isso permite que o profissional migre para a camada estratégica de interpretação e construção de autoridade.


