Cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam em plataformas digitais de serviços no Brasil em 2025, o que equivale a 1,9% de toda a população ocupada no período. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abrangem serviços de transporte, entregas e profissionais gerais.
Para 1,8 milhão de pessoas, as plataformas foram o único ou principal trabalho, representando 92,1% do total. Outras 182 mil pessoas utilizaram os aplicativos como meio secundário de renda. O levantamento indica que 38,8% dos trabalhadores atuavam de forma exclusiva em apenas uma plataforma.
A série histórica mostra crescimento no setor. Em 2022, os aplicativos eram a principal fonte de trabalho para 1,3 milhão de pessoas, 1,5% da população ocupada no setor privado. O número subiu para 1,7 milhão em 2024, mantendo a proporção de 1,9% dos ocupados.
O perfil predominante é masculino, com 84,4% do total, enquanto as mulheres somam 15,6%. A faixa etária entre 25 e 39 anos concentra quase metade dos trabalhadores, 47%. No quesito escolaridade, 62,5% possuem ensino médio completo ou superior incompleto.
Trabalhadores por conta própria somam 86,8% do grupo. Em contraste, no total de ocupados do setor privado, essa categoria representa 28,9%, enquanto os empregados com carteira assinada são 43,8%. Entre os plataformizados, apenas 4,5% possuem carteira assinada.
A flexibilidade de horários foi o principal motivo para a escolha do trabalho, citada por 26,8% dos profissionais. A dificuldade em encontrar outra ocupação (24,6%) e rendimentos superiores a outras opções (20,8%) também foram fatores relevantes. Para quem usa a plataforma como atividade secundária, 87,7% buscam complementar a renda.
Geograficamente, o Sudeste concentra 55,3% desses trabalhadores, com 1,083 milhão de pessoas. O Nordeste aparece com 19,7%, seguido pelo Sul com 11,7%, Centro-Oeste com 7,3% e Norte com 6%.
Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, afirmou que as plataformas oferecem oportunidades de renda e redução de custos para empresas, mas representam um desafio para as condições de trabalho.


