Uma sequência de ataques contra a infraestrutura crítica da Alemanha, incluindo subestações de energia e instalações de defesa, elevou o alerta de segurança no país. O Departamento Federal de Investigações da Alemanha (BKA) registrou 160 possíveis atos de sabotagem e mais de 700 avistamentos suspeitos de drones apenas neste ano.
A ofensiva começou na terça-feira (1º), com uma tentativa de sabotagem na rede elétrica próximo à usina de carvão de Jänschwalde, em Brandemburgo. Na mesma noite, houve uma falha em subestação perto de Colônia, também atribuída a sabotagem. Na quarta-feira, uma granada de mão provocou explosão perto da estação ferroviária de Augsburg, na Baviera.
Durante a madrugada de quinta-feira, artefatos incendiários foram lançados contra canteiro de obras de empresas de defesa em Munique, onde dois cidadãos búlgaros foram presos. No mesmo dia, um objeto suspeito e uma carta de reivindicação foram encontrados em uma subestação em Dormagen, entre Colônia e Düsseldorf.
O governo alemão associou parte da instabilidade a forças russas, especialmente após tentativa de ataque com drones ao aeroporto de Halle/Leipzig em 4 de agosto. Em resposta, Berlim fechou o Consulado-Geral da Rússia em Bonn e a Casa da Rússia em Berlim. Moscou planeja fechar o Instituto Goethe em Moscou.
Sönke Marahrens, coronel das Forças Armadas alemãs e especialista em segurança, classificou as ações como guerra híbrida, na qual Estados estrangeiros ou organizações buscam interesses estratégicos via sabotagem e desinformação. No entanto, a apuração indica que grupos de extrema esquerda também podem estar envolvidos, como em ataque anterior a uma ponte de cabos em Berlim.
O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, defendeu que empresas privadas invistam mais na proteção de suas instalações. Heiko Teggatz, presidente da Associação Alemã de Polícia (DPolG), afirmou que a segurança das instalações é responsabilidade primária dos operadores e que faltam investimentos consistentes em tecnologia.


