A Procuradoria-Geral da República (PGR) negou um pedido baseado na Lei de Acesso à Informação (LAI) para informar a frequência de encontros entre o procurador-geral Paulo Gonet e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada e na Granja do Torto, residências oficiais da Presidência.
O gabinete de Gonet justificou a recusa alegando que o Ministério Público Federal (MPF) não possui dados estruturados em seu sistema de registro que permitam a extração automatizada das informações com o detalhamento solicitado. O órgão afirmou que o atendimento exigiria trabalhos adicionais de análise, interpretação ou consolidação de dados.
A decisão invoca um dispositivo do decreto que regulamenta a LAI para fundamentar a negativa. O pedido abrangia a lista de visitas, agendas e compromissos registrados nos dois endereços oficiais. Gonet foi reconduzido ao cargo pelo presidente no ano passado.
O procurador-geral já participou de reuniões e jantares fora da agenda oficial no Alvorada. Em julho de 2025, o chefe da PGR e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reuniram-se com o presidente para discutir a reação a sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos a integrantes da Corte.
Paralelamente, Gonet tornou-se alvo de repercussão após a divulgação de relatório da Polícia Federal no caso Master. Mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro sugerem pedidos de ajuda ao procurador para conter investigações. Em trechos das conversas, Gonet menciona a expectativa de receber charutos e uísque Macallan em viagem a Londres, além de solicitar que Vorcaro custeasse a viagem de seu filho, Pedro Gonet, para a capital inglesa.
Em resposta ao relatório da PF, Gonet pediu a nulidade do documento. Em manifestação enviada ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, o procurador-geral afirmou que a ordem para identificar interlocutores de Vorcaro extrapolou os limites do magistrado e que a investigação de um integrante da Corte exigiria autorização do plenário do Supremo.


