O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (4), que economistas e ex-presidentes não possuem autoridade moral para questionar sua responsabilidade fiscal. Em entrevista à Rádio Progresso FM, no Ceará, o candidato à reeleição defendeu que despesas superiores à receita são justificáveis apenas quando destinadas à aquisição de ativos ou ampliação do patrimônio público.
Lula disse que aprendeu a não gastar mais do que ganha com a mãe, dona Lindu, e que a falta de equilíbrio nas contas públicas prejudica principalmente a população de menor renda. O presidente afirmou que, quando há desequilíbrios fiscais, a carga recai sobre os mais pobres.
As declarações ocorrem em um cenário de deficit nas contas públicas. Entre janeiro e julho de 2026, o Governo Central registrou deficit primário de R$ 81,3 bilhões, valor superior aos R$ 70,3 bilhões do mesmo período de 2025, conforme dados do Tesouro Nacional. Em julho, houve um superavit de R$ 10,8 bilhões.
A dívida bruta do governo geral, que engloba as obrigações do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e de estados e municípios, atingiu R$ 10,9 trilhões em julho. Segundo o Banco Central, o montante representa 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), alta de 3,9 p.p. no acumulado de 2026.
Para defender sua gestão, Lula citou o desempenho do PIB em seus governos anteriores, mencionando que a economia avançou 7,5% em 2010, último ano de seu segundo mandato. Ele afirmou que pretende usar um eventual quarto mandato para levar o Brasil ao padrão de país desenvolvido, com foco em educação, formação profissional e alta tecnologia.
O presidente informou que pretende incluir no programa de governo a meta de resolver o problema da educação em 10 anos. O plano prevê a criação de mais universidades e institutos federais, além de cursos voltados às demandas tecnológicas. Lula declarou que decidiu disputar a eleição por ter um compromisso com o país.


