A Pernambucanas avalia a suspensão do pagamento de aluguéis de diversos imóveis por cerca de dois meses para preservar R$ 60 milhões em caixa, segundo apuração do site Silla. A companhia nega a intenção de postergar os pagamentos, mas enfrenta dificuldades financeiras após registrar prejuízo líquido de R$ 410 milhões em 2025.
A operação de varejo da rede, fundada em 1908, acumulou perda de R$ 206 milhões apenas no primeiro trimestre de 2026. O valor líquido disponível para os proprietários, após a dedução de dívidas e obrigações, caiu 62%, passando de R$ 1,11 bilhão em dezembro de 2024 para R$ 421 milhões em março de 2026.
Em março, a PwC, auditora independente da empresa, apontou incerteza relevante sobre a continuidade operacional do negócio. No consolidado de 2025, a Pernambucanas possuía passivos de arrendamento de R$ 1,44 bilhão e dívidas com fornecedores que somavam quase R$ 2,8 bilhões.
A rede possuía 472 lojas em março, com 76% situadas em imóveis de rua e 24% em shopping centers. Os gastos com aluguéis totalizaram R$ 337 milhões em 2025 e R$ 91 milhões no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma média mensal de R$ 30 milhões.
Em julho, a administração foi alterada. Marcelo Pimentel assumiu a presidência executiva, Ernane Abrahão tornou-se CFO e Carlos Henrique Bandeira de Mello passou a comandar o conselho. A situação ocorre enquanto outras marcas, como Casas Bahia e Grupo Marabraz, recorrem à Justiça para reestruturar dívidas.
A crise no setor combina juros, inflação alta e baixos índices de confiança do consumidor, conforme dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV).


