O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia indicar o desembargador Ricardo Couto de Castro, atual governador em exercício do Rio de Janeiro, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) antes das eleições de outubro. A possibilidade é discutida pelo presidente e pela cúpula de sua campanha à reeleição, segundo a imprensa local.
Interlocutores da campanha veem três ganhos políticos na escolha. A indicação associaria o governo a um nome técnico da magistratura, reforçaria o discurso de combate à corrupção e ampliaria o potencial eleitoral de Lula no Rio de Janeiro, segundo maior colégio eleitoral do país.
Pesquisas internas da campanha apontam aprovação superior a 80% para Couto. Já levantamento público do Datafolha, divulgado em 21 de agosto, registrou 47% de aprovação do governo interino, com 31% de desaprovação e 22% de indecisos.
A movimentação ocorre em cenário de disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Apurações indicam empate em eventual segundo turno, inclusive no Rio. No estado, Lula apoia Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas para governador com 43,6%, contra 27,6% de Douglas Ruas (PL), segundo a AtlasIntel.
Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), assumiu o governo em março após crise sucessória. O cargo ficou vago após a saída do vice-governador Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), a prisão e cassação de Rodrigo Bacellar e a renúncia de Cláudio Castro (PL) em 23 de março.
Desde que assumiu o Palácio Guanabara, o desembargador exonerou mais de 4 mil servidores comissionados até junho. O nome de Couto já era citado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o desempenho na gestão estadual ampliou a projeção para o STF. Caso seja indicado, o nome passará por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e votação no plenário.


