O governo de Donald Trump anunciou planos para assumir o controle de mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo bruto da Venezuela. A estratégia visa expulsar a China e a Rússia do país, classificados pela Casa Branca como “atores estrangeiros maliciosos”, para garantir a dominância dos Estados Unidos no hemisfério.
O secretário de Energia, Chris Wright, informou nesta quarta-feira (2) que Pequim não terá direitos sobre a receita da nova produção venezuelana. A medida impacta a reestruturação da dívida da Venezuela, que inclui bilhões de dólares devidos à China. Washington fundamenta a ação na Estratégia de Segurança Nacional, que reivindica o direito de negar a potências rivais o controle de ativos estrategicamente vitais.
Como parte do movimento, os Estados Unidos negociaram nesta semana a participação de 35% na North American Blue Energy Partners, empresa do empresário venezuelano Alejandro Betancourt. O acordo garante acesso a 17 campos petrolíferos locais. Ainda não foi detalhado quais projetos ligados à China estão incluídos no pacote de concessão de 100 anos anunciado por Washington.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou em coletiva na quinta-feira que a cooperação entre Pequim e Caracas é protegida pelo direito internacional e que os interesses chineses devem ser preservados. Analistas indicam que o impacto econômico para a China é moderado, já que o petróleo venezuelano representou apenas 4% das importações chinesas em 2025.
O prejuízo financeiro pode recair sobre bancos estatais chineses. Estima-se que a dívida total da Venezuela com a China totalizasse pelo menos US$ 10 bilhões em 2025, valor inferior aos mais de US$ 60 bilhões em empréstimos lastreados em petróleo concedidos até 2015. Refinarias independentes na província de Shandong também enfrentam escassez de matéria-prima para a produção de asfalto.
A tensão ocorre pouco antes da primeira visita de Estado do presidente Xi Jinping aos EUA em mais de uma década, prevista para este mês. O encontro deve abordar desequilíbrios comerciais e o apoio econômico de Pequim ao Irã, embora especialistas duvidem que a questão da dívida venezuelana seja discutida.


