A Verde Asset Management afirmou, em carta a clientes publicada nesta sexta-feira (4), que a tentativa do Tesouro dos Estados Unidos de intervir no mercado de títulos para conter a disparada dos juros indica o início de um processo de repressão financeira para lidar com a dívida pública do país.
A medida do governo americano não surtiu efeito, deixando o dólar vulnerável e gerando corrida por ouro e outras moedas. Segundo a gestora de Luis Stuhlberger, a trajetória fiscal de longo prazo de economias desenvolvidas deve pressionar as taxas longas por mais tempo, e a solução não passará por ajustes fiscais, mas por repressão financeira ou maior inflação.
A repressão financeira ocorre quando políticas mantêm os juros artificialmente baixos para reduzir o custo de financiamento do governo e corroer o valor real da dívida. O instrumento pode envolver a compra de títulos pelo Estado ou regulação que obrigue fundos e bancos a carregar papéis públicos, comprimindo as taxas reais para o poupador.
A intervenção ocorreu após o rendimento do título de 30 anos superar 5,30%, o maior nível desde 2007. A Verde avalia que o insucesso era previsível devido ao tamanho do déficit fiscal americano, à necessidade de financiamento e ao aumento de emissões de títulos privados para investir em inteligência artificial.
Como estratégia, a casa manteve alocação em metais preciosos. O contrato de ouro para dezembro subiu 10,68% em agosto na Comex, enquanto a prata avançou 15,78% no mesmo período. O fundo Verde subiu 1,98% em agosto, contra 1,09% do CDI, acumulando alta de 10,33% no ano.
No cenário brasileiro, a gestora aumentou a exposição em renda variável. A decisão ocorre enquanto o ciclo eleitoral entra em fase mais aguda e caótica, com pesquisas indicando disputa competitiva. A Verde manteve posições compradas em opções para capturar o prêmio de risco em diversos setores, mas segue sem posições direcionais em renda fixa local.


