Cerca de 1,96 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo representa 1,9% dos ocupados e apresenta, em média, jornadas mais extensas e menor rendimento por hora do que os demais trabalhadores do setor privado.
O transporte de passageiros concentra a maior fatia do setor, com 1,2 milhão de pessoas. Outros 376 mil trabalham com entregas e 313 mil prestam serviços gerais ou profissionais via plataformas digitais. No segmento de transporte, armazenagem e correios, os plataformizados representam 75% dos ocupados.
Para quem tem a atividade como ocupação principal, o número foi de 1,8 milhão, o que indica alta de 9,1% em relação a 2024 e de 36,8% ante 2022. O perfil é predominantemente masculino, com 84,4% dos casos, e 47% dos profissionais têm entre 25 e 39 anos. A principal motivação para a atividade, segundo motoristas e entregadores, é a dificuldade de encontrar outro emprego.
O rendimento médio mensal é de R$ 3,15 mil, valor similar ao de outros trabalhadores privados. Contudo, a jornada semanal é de 44,7 horas, superior às 39,3 horas dos demais. Isso resulta em um ganho de R$ 16,20 por hora, valor 12% inferior aos R$ 18,40 recebidos por quem não usa plataformas.
A informalidade atinge 72,1% desses profissionais, enquanto apenas 34% possuem cobertura previdenciária. Entre os demais trabalhadores do setor, os índices de informalidade e previdência são de 42,7% e 63%, respectivamente.
Apesar de 86,8% se declararem autônomos, o IBGE identificou sinais de dependência. Entre motoristas, 80,2% afirmam que o valor de cada tarefa depende totalmente da plataforma; entre entregadores, o índice é de 78,3%.
Os dados surgem enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) discute a chamada “uberização”. Trabalhadores pleiteiam o reconhecimento de vínculo empregatício, tese rejeitada pelas empresas do setor e pela Procuradoria Geral da República (PGR).


