Os advogados Paulo Faria e Filipe Oliveira apresentaram, nesta sexta-feira (4), uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) pedindo o afastamento cautelar do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por 120 dias. O pedido fundamenta-se em suposto conflito de interesses na investigação do Banco Master e de Daniel Vorcaro.
A representação sustenta que Gonet deveria ter se declarado suspeito após relatórios da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), citarem o procurador-geral e pessoas próximas. No dia 1º de setembro, Gonet manifestou-se ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a anulação da ordem de investigação, dos relatórios da PF e o encerramento do procedimento.
Segundo Faria e Oliveira, a conduta pode configurar violação do dever de declarar impedimento. O documento cita uma mensagem atribuída a Vorcaro, na qual menciona a importância de alinhar questões com “Andrei e Paulo” para evitar problemas, sendo “Paulo” identificado nos autos como o procurador-geral.
Paralelamente, os advogados protocolaram no Senado um pedido de impeachment por crime de responsabilidade. Enquanto o CNMP apura infrações funcionais, o processo legislativo trata da responsabilidade do cargo. Os autores alegam que Gonet teria sido omisso nos últimos 180 dias ao não abrir investigações mesmo após receber informações sobre crimes envolvendo o banco.
A peça cita ainda um relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na CPI do Crime Organizado, embora o texto tenha sido rejeitado pela comissão por 6 votos a 4. Os advogados questionam também o arquivamento, ocorrido nos dias 2 e 3 de setembro, de relatos de Vorcaro sobre supostas pressões em negociações de colaboração premiada.
Além do afastamento temporário para evitar interferências nas provas, a representação pede a notificação de Gonet para defesa. Caso as infrações sejam reconhecidas, os advogados solicitam a aplicação de sanções legais e a perda do cargo na carreira do Ministério Público Federal (MPF).


