Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugerem a indicação do governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia visa oferecer uma resposta institucional diante de desgastes na Corte e da rejeição anterior de um nome próximo ao petista pelo Senado.
A proposta surge após a divulgação de mensagens que expuseram a relação entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A avaliação de interlocutores é que a escolha de um perfil técnico, associado ao combate à corrupção e fora do círculo íntimo do presidente, poderia estancar a crise de confiança na instituição.
O Supremo está com uma cadeira vaga desde outubro de 2025, com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. Na ocasião, Lula indicou Jorge Messias, chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), mas o nome foi rejeitado pelos senadores em abril, em movimento orquestrado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Ricardo Couto, que é desembargador e presidente do Tribunal de Justiça do Rio, já foi cotado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) este ano. Embora não seja próximo ao presidente, Couto recebeu elogios públicos de Lula, que o chamou de “interventor” em ato recente. O governador interino também possui proximidade com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
Um interlocutor do presidente afirmou que existe um movimento de convencimento, mas que não há decisão tomada. Lula demonstrou, em conversas reservadas, o desejo de reenviar o nome de Messias para a vaga. O núcleo próximo do governo, porém, argumenta que a indicação de um nome sem vínculos pessoais com o mandatário seria um “sacrifício” necessário para conter efeitos políticos nas eleições.
Nesta sexta-feira (4), Lula declarou que ninguém pode usar o cargo em benefício pessoal em nome da democracia. O presidente defendeu a reforma do Judiciário e afirmou fazer um esforço para evitar que a sociedade perca a confiança nas instituições.


