O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF), na última sexta-feira (28), ter informações que vão além do escopo atual das investigações da Operação Compliance Zero. O empresário, que prestou declarações por videoconferência da unidade prisional Papudinha, em Brasília, disse ter “muito a contribuir e a falar” sobre o caso.
Vorcaro classificou o processo como “um terror” e “algo desumano”, sugerindo que as apurações atuais focam em pontos menores enquanto questões mais graves seriam ignoradas. O empresário relatou que tentou firmar acordos de delação premiada em mais de uma ocasião, mas as propostas foram rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Durante a oitiva conduzida pelo delegado Albert Paulo Sérgio de Moura, Vorcaro detalhou os eventos de 17 de novembro de 2025. Ele afirmou ter comunicado ao Banco Central (BC) a estruturação de uma solução privada para o banco, que envolveria a venda da instituição em três blocos para investidores após viagens aos Emirados Árabes Unidos. Segundo o ex-banqueiro, a liquidação extrajudicial e seu mandado de prisão foram decretados na mesma tarde, sem que a solução proposta fosse apreciada.
Questionado sobre mensagens trocadas com os servidores do BC Paulo Sérgio Neves de Souza e Beline Santana, Vorcaro negou ter efetuado pagamentos de propinas ou vantagens econômicas entre 2020 e 2025. Ele justificou que a relação ocorreu em ambiente institucional, sob supervisão intensa devido à sensibilidade de liquidez do banco na época da transição do Banco Máxima.
A defesa, formada pelos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialsk e Thiago Machado, informou que os contatos seguiram ritos formais. O delegado sinalizou a possibilidade de novas oitivas presenciais em Brasília, dependendo da qualidade técnica das gravações feitas por videoconferência na prisão.
Documentos divulgados após decisão do ministro André Mendonça revelam mensagens de Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dias antes de sua detenção. Em 15 de novembro de 2025, o empresário perguntou se deveria deixar o país, e no dia 16 questionou sobre a chance de ser detido. A prisão foi assinada em 17 de novembro, às 15h29, pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal.


