A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta sexta-feira (4), a importação do medicamento experimental ALN-6457 para o tratamento do influenciador Lito Sousa. O paciente foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) e será a primeira pessoa a receber a substância, que ainda não passou por estudos em seres humanos.
O pedido de importação foi apresentado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pelo acompanhamento do paciente. A liberação ocorreu em caráter excepcional porque a substância, desenvolvida pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals, não possui registro comercial nem representante legal no Brasil. Lito Sousa foi aceito em um programa de uso compassivo.
Mila Seidl, esposa do influenciador, informou que participou das articulações para a autorização. Segundo ela, o processo envolveu o Ministério da Saúde, a Anvisa, o hospital e a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. Seidl afirmou que o tratamento deve chegar ao país em um prazo de sete a nove dias.
O uso compassivo é permitido para pacientes sem alternativas terapêuticas, possibilitando o acesso a substâncias experimentais antes da conclusão de estudos de segurança e eficácia. A Anvisa baseou a decisão na evolução rápida e irreversível da enfermidade. Não há informações sobre como será realizado o tratamento.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma enfermidade priônica causada pela alteração de uma proteína que destrói neurônios no cérebro. A condição é progressiva e não possui cura. Dados do Ministério da Saúde indicam que a idade média dos casos suspeitos é de 66 anos, com 60,2% das notificações concentradas na faixa entre 55 e 74 anos.
Entre 2005 e 2021, o Brasil confirmou 547 casos da doença, com 290 mortes registradas no período. A literatura do Ministério da Saúde aponta que a sobrevida média é de cinco meses e cerca de 90% dos pacientes morrem entre seis meses e um ano após o início dos sintomas.


