Seis meses de guerra deixaram o Irã mais confiante em suas capacidades militares e consciente dos limites do poder dos Estados Unidos, segundo avaliações de inteligência norte-americanas. O governo iraniano estaria disposto a prolongar o confronto para desgastar politicamente o presidente Donald Trump e pressionar a economia americana.
A análise ocorre enquanto os combates voltam a se intensificar. Na última semana, o Irã atacou tropas americanas e embarcações no Estreito de Ormuz, enquanto forças dos Estados Unidos realizaram ataques em território iraniano, resultando na morte de civis e militares. Embora a rodada de confrontos permaneça limitada, a inteligência dos EUA alerta para a possibilidade de uma escalada significativa.
O controle do Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, é o principal instrumento de pressão de Teerã. As avaliações sugerem que o Irã compreende como transformar a interferência no fluxo de energia em um problema econômico para Washington e outros países dependentes da região.
Autoridades americanas acreditam que o Irã percebe dificuldades nos EUA para realizar novos ataques de larga escala devido à diminuição dos estoques de munições. Por outro lado, Donald Trump não busca negociações imediatas, apostando que sanções econômicas obrigarão o Irã a fazer concessões sobre o programa nuclear e o controle do estreito.
Há também um componente político estratégico. O Irã teria interesse em estender o conflito até as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro. A meta seria explorar a alta dos combustíveis e a instabilidade política do governo republicano.
A Meta informou, em relatório recente, a existência de uma rede de contas no Facebook e Instagram originadas no Irã. O conteúdo, que inclui materiais produzidos por inteligência artificial, é voltado à política americana e apresenta posições contrárias aos republicanos. O cenário atual contrasta com a previsão de vitória rápida feita por Trump no início da guerra, em 28 de fevereiro.


