O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou, nesta sexta-feira (4), que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve provar que não há irregularidades em sua conduta. A declaração ocorreu após reunião com o vice-presidente da Assembleia de Deus, José Wellington Costa Jr., em São Paulo.
A fala do presidenciável acontece após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O documento detalha conversas entre o banqueiro e o ministro durante crise financeira da instituição e investigações que levaram à prisão de Vorcaro.
Cury afirmou que ninguém será poupado em seu governo e que integrantes do poder público devem prestar contas à sociedade, definindo o contribuinte como o “patrão”. O candidato também apresentou critérios para futuras indicações ao STF, incluindo a intenção de nomear duas mulheres para as próximas vagas, dado que Cármen Lúcia é a única mulher entre os dez ministros atuais.
Entre as propostas, Cury sugere que indicados tenham mais de 50 anos e não tenham filiação partidária nos cinco anos anteriores à nomeação. Ele defende que dois terços da Corte sejam compostos por magistrados, com a presença de dois ou três membros do Ministério Público e um advogado. Atualmente, a Constituição exige apenas idade entre 35 e 70 anos, notável saber jurídico e reputação ilibada.
O candidato defende ainda a substituição da vitaliciedade por mandatos de oito anos para os ministros. Segundo Cury, já conversou com magistrados do STF sobre a medida. Para tornar esses critérios obrigatórios, seria necessária uma alteração na Constituição Federal.
A composição do tribunal deve passar por renovação nos próximos anos. Existe uma vaga aberta desde outubro de 2025, após aposentadoria de Luís Roberto Barroso, com a indicação de Jorge Messias rejeitada pelo Senado em abril. Além disso, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes devem atingir a idade de aposentadoria compulsória entre 2028 e 2030.


