A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma apuração para verificar se houve interferência externa na produção de um relatório da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, nesta sexta-feira (4).
A medida foi comunicada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao presidente do STF, Edson Fachin. A iniciativa ocorre após Fachin solicitar esclarecimentos sobre a elaboração do material, que foi produzido pela Polícia Federal por determinação do ministro André Mendonça, então relator do caso.
Gonet afirmou que a PGR não foi informada sobre a decisão de Mendonça que resultou na coleta de mensagens, registros de encontros e outros elementos envolvendo Moraes e Vorcaro. O relatório em questão é o centro de uma disputa entre os magistrados da Suprema Corte.
Alexandre de Moraes enviou o material a Fachin alegando que os documentos apresentam fortes indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na conduta de André Mendonça. As acusações referem-se às operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Moraes sustenta que Mendonça teria ultrapassado a supervisão judicial ao receber dados brutos de investigações antes da análise policial, atuando como investigador. O documento aponta que o ministro teria interferido na composição de equipes da PF e no tratamento de provas, solicitando que análises de servidores fossem enviadas sem a revisão de delegados.
A apuração também envolve a conduta de Mendonça em colaborações premiadas. Os relatórios indicam que o magistrado discutiu delações com advogados e cogitou benefícios ilegais para Maurício Camisotti, empresário citado em CPMI do INSS por suposto envolvimento em esquemas de descontos ilegais em aposentadorias, que teria movimentado R$ 350 milhões.
Por fim, Moraes cita suposto direcionamento de investigações por razões políticas e pessoais. Segundo o material, Mendonça teria demonstrado interesse em avançar contra o próprio Moraes e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, além de questionar a confiança no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e no procurador-geral Paulo Gonet.


