O gestor do fundo soberano da Noruega propôs ao Ministério das Finanças do país a redução de cerca de US$ 80 bilhões na exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A medida faz parte de uma reformulação da carteira de renda fixa para buscar modalidades de dívida que ofereçam retornos mais elevados.
Em carta enviada nesta terça-feira (2), o Norges Bank Investment Management (NBIM) recomendou que a participação de títulos soberanos no índice de referência de renda fixa do fundo caia de 70% para 50%. A proposta visa reduzir a alocação em títulos de governos de diversos países em US$ 106 bilhões, sendo a maior parte do corte concentrada nos ativos americanos.
A decisão ocorre diante do avanço do endividamento público e de vendas no mercado global de títulos. O cenário é agravado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, que eleva os temores de aceleração da inflação. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, interveio no mercado de Treasuries durante o verão do hemisfério Norte, mas os rendimentos seguem em níveis elevados.
A menor alocação em títulos do Tesouro seria compensada pela compra de títulos lastreados em hipotecas, os mortgage-backed securities (MBS). Esses ativos, garantidos por agências como Fannie Mae, Freddie Mac e Ginnie Mae, possuem qualidade de crédito próxima à dos títulos governamentais, mas oferecem rendimentos superiores devido ao risco de quitação antecipada das hipotecas.
Segundo a carta assinada pela presidente do Norges Bank, Ida Wolden Bache, e pelo diretor-executivo do NBIM, Nicolai Tangen, a fatia de 50% em títulos públicos é suficiente para garantir a liquidez do fundo, inclusive em períodos de turbulência. A parcela restante do índice seria destinada a outras fontes de prêmio de risco.
Um porta-voz do NBIM informou que a exposição ao dólar americano permaneceria essencialmente inalterada, com queda de apenas 0,5 ponto percentual. A proposta surge após questionamentos do Ministério das Finanças e críticas de parlamentares noruegueses sobre a concentração de ativos nos Estados Unidos. Em abril, o ministro das Finanças, Jens Stoltenberg, havia dito que não havia planos de reduzir a exposição ao país.


