O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, autorização para investigar a participação do ministro André Mendonça em uma possível interferência na Polícia Federal (PF). A apuração foca na elaboração de um relatório baseado em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro.
Gonet determinou que a PF esclareça a produção do documento, especificamente sobre a ocorrência de ordens ou interferências externas que possam ter comprometido o conteúdo. O relatório, composto por 218 páginas, foi solicitado por Mendonça para identificar interlocutores de Vorcaro.
O documento apresenta comunicações do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes e cita outras autoridades, incluindo o próprio Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O procurador-geral afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não foi consultada, o que impediu o controle externo da atividade policial.
O relatório registra interações entre o advogado Ciro Rocha Soares e Vorcaro. Em 15 de março de 2025, o advogado enviou uma foto ao lado de Gonet com a frase “Liga aqui”. No dia 28 de março, foram encaminhadas mensagens atribuídas ao procurador-geral mencionando saudades e a expectativa por charutos e a bebida Macalan.
No dia seguinte, o advogado questionou se o filho do procurador-geral poderia acompanhar uma viagem, ao que Vorcaro respondeu “Óbvio, né”. Gonet informou a abertura da apuração em ofício a Fachin, citando a necessidade de autorização do tribunal para investigar magistrados.
O pedido ocorre após Alexandre de Moraes solicitar a Fachin a abertura de investigação contra André Mendonça por indícios de crimes na condução de inquéritos, com foco no caso do Banco Master.


