O governo de São Paulo incluiu a febre do Nilo no painel viral de arboviroses monitorado por 73 unidades sentinela de saúde em todo o estado. A decisão ocorre após a confirmação dos dois primeiros casos da doença na história do estado, registrados nas cidades de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
A medida visa monitorar a distribuição do vírus, embora a coordenadora da Vigilância em Saúde do estado, Regiane de Paula, afirme que não há preocupação com a possibilidade de uma epidemia. O sistema de unidades sentinelas, que engloba UBS, hospitais e UPAs, já realizava testagens de dengue, zika, chikungunya, mayaro, oropouche e febre amarela desde 2024.
A inclusão do novo vírus no diagnóstico diferencial acontece em um cenário de rotas migratórias de aves vindas da Argentina que passam por Santa Catarina e São Paulo. Segundo Regiane de Paula, as características dessas aves estão se alterando devido ao fenômeno El Niño, o que exige a estruturação da vigilância para avaliar a situação no território.
A febre do Nilo é transmitida pelo mosquito Culex, o pernilongo comum, que se contamina ao picar aves silvestres hospedeiras. No Brasil, além de São Paulo, Santa Catarina confirmou dois casos este ano, nas cidades de Caçador e Imbituba, com registro de um óbito.
A maioria dos infectados não apresenta sintomas ou manifesta quadros leves, como febre, dor de cabeça e manchas vermelhas na pele. No entanto, 1% dos casos pode evoluir para formas graves com acometimento neurológico, resultando em meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. Por isso, o estado também implementará a vigilância de síndromes neuroinvasivas.
A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de SP, Tatiana Lang, informou que São Paulo é o primeiro estado a implantar o sistema de sentinelas e a incluir a febre do Nilo no painel viral. As amostras coletadas nessas unidades são enviadas para testagem no Instituto Adolfo Lutz.
Não existe vacina recomendada no Brasil nem tratamento antiviral específico, sendo indicado apenas o tratamento dos sintomas. Em casos graves, a internação em unidade de terapia intensiva (UTI) é necessária para reduzir o risco de morte. A prevenção baseia-se no uso de repelentes, telas em janelas e eliminação de água parada em locais sujos.


