O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta sexta-feira (4), que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), erra ao não dar andamento aos pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante visita a São Carlos (SP).
Flávio declarou a jornalistas que Alcolumbre tenta proteger um amigo em vez de preservar a instituição. O senador afirmou que Moraes não possui condições de permanecer no Supremo e que o presidente do Senado perde a oportunidade de resgatar a credibilidade da Casa e devolver a Corte ao povo.
O parlamentar citou informações de uma investigação relacionada ao Banco Master para defender que o ministro seja investigado formalmente. O caso ganhou visibilidade após o ministro André Mendonça, relator do processo no STF, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) no dia 1º de setembro. O documento menciona mensagens e encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro.
A PF identificou que, em janeiro de 2024, o ministro alterou a minuta de um contrato entre o banco e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com pagamentos de R$ 131 milhões. Moraes negou irregularidades e a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a anulação do relatório, questionando a validade da apuração.
Flávio Bolsonaro também alegou que Alcolumbre age por autoproteção. Segundo o candidato, o presidente do Senado teria se reunido com Moraes antes de medidas serem tomadas contra ele, em um suposto acordo que envolveria também o ministro Flávio Dino. O senador não apresentou provas dessa reunião ou de irregularidades cometidas por Moraes.
O senador relacionou a atuação do STF ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mencionando a existência de um consórcio entre o presidente e integrantes da Corte. Flávio afirmou que, em um eventual governo seu, as indicações ao STF considerariam posições sobre drogas e aborto, além do compromisso de não perseguir a oposição.
Alcolumbre criticou nesta semana as pressões para a abertura do processo de impeachment. Em sessão na quarta-feira (2), mencionou negociações para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro ao reclamar de ataques recebidos, sem citar o nome de Flávio Bolsonaro nominalmente.


