O banqueiro Daniel Vorcaro admitiu à Polícia Federal (PF), em depoimento prestado na sexta-feira (28), ter oferecido um serviço de concierge como “agrado” a Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do Banco Central (BC), durante uma viagem familiar do ex-diretor para a Disney, nos Estados Unidos.
Vorcaro negou ter realizado pagamentos a diretores da autarquia. Ele explicou que mantinha uma estrutura de marketing com pagamento anual que disponibilizava serviços de concierge a pessoas de seu círculo de relacionamento. O banqueiro afirmou que considerou a iniciativa uma cortesia, e não um pagamento, mencionando que a estrutura atendia dezenas de pessoas.
Segundo o depoimento, Paulo Sérgio mencionou a programação da viagem à Disney em uma reunião, momento em que Vorcaro ofereceu o serviço. O banqueiro declarou que não se lembrava se houve eventual ressarcimento por parte do ex-diretor.
A cortesia também teria sido oferecida a Bellini Santana, que ocupou a diretoria de supervisão do BC, durante uma viagem do ex-diretor à Europa. Vorcaro informou, porém, não recordar se o serviço chegou a ser utilizado por Santana.
O depoimento, que durou quatro horas e meia, integra o inquérito que apura a relação de dois ex-diretores do BC com o Banco Master. Os investigadores questionaram o envio de minutas de documentos da instituição financeira a diretores do BC que, segundo a apuração, atuariam como assessores de interesses internos.
Vorcaro afirmou que o envio de documentos era um procedimento habitual. Ele explicou que a prática visava evitar problemas com a autarquia e evitar que a instituição recebesse “nenhum puxão de orelha”.


