O candidato a deputado estadual Ismael Calom, do Partido dos Trabalhadores (PT) em Goiás, denunciou que não recebeu recursos do fundo partidário para sua campanha eleitoral. A situação levou a Associação Estadual da Etnia Cigana de Goiás a publicar uma nota de repúdio contra a sigla, questionando a coerência entre a prática do partido e seus discursos de inclusão.
Calom, que é policial militar da reserva e nasceu em Catalão em 1973, afirmou que sua candidatura foi desassistida financeiramente. O candidato declarou que a situação é uma decepção, pois o partido, que teoricamente prega a inclusão, teria excluído sua campanha. Ele argumenta que a representatividade de sua candidatura abrange mais de 22 mil ciganos em Goiás e cerca de 1 milhão em todo o Brasil.
A Associação Estadual da Etnia Cigana de Goiás classificou o caso como de profunda preocupação. Em manifesto, a entidade afirma que a candidatura de Calom é uma oportunidade de levar a voz da população cigana ao Parlamento e cobra esclarecimentos sobre a compatibilidade da atitude do PT com os princípios de justiça social defendidos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O candidato relatou que, após a divulgação da nota de repúdio, a deputada Adriana Accorsi iniciou uma perseguição e passou a ignorá-lo nas redes sociais. Calom informou que recebeu apoio moral do deputado federal Rubens Otoni, embora os recursos financeiros não tenham sido liberados.
A associação ressaltou que a inclusão política deve sair do discurso para a prática, defendendo que grupos historicamente invisibilizados tenham acesso a estruturas que permitam disputar eleições em condições justas. Calom mantém a campanha por meio das redes sociais, com alcance em 117 municípios goianos.


