O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou como “decepcionante” a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em entrevista publicada na sexta-feira (4), o ministro criticou o ritmo de redução da taxa básica de juros e a autonomia da instituição, aprovada em 2021.
Boulos afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperava uma política de redução de juros ao indicar Galípolo para o cargo. O ministro defendeu que a autoridade monetária brasileira adote um mandato múltiplo, similar ao do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que monitora tanto a inflação quanto o nível de desemprego.
A autonomia do Banco Central também foi questionada. Segundo o ministro, a medida gera problemas para a democracia, pois impede que o presidente da República, eleito por 60 milhões de votos, tenha incidência na definição da taxa de juros. Boulos informou que as declarações são em nome próprio e que não atua como porta-voz econômico do governo.
Sobre o ajuste fiscal, Boulos rejeitou cortes de gastos em saúde e educação, classificando a medida como irresponsabilidade. Ele sugeriu que eventuais ajustes ocorram por meio da revisão de benefícios tributários, desonerações do agronegócio e da redução dos juros da dívida pública, que consumiria quase R$ 1 trilhão por ano.
O ministro negou que a trajetória da dívida brasileira esteja fora de controle. Ele comparou o índice do Brasil, citado em 80%, com o de outros países, como Japão (200%), Itália (160%) e Estados Unidos (mais de 100%), argumentando que a diferença principal reside nos juros cobrados.


