O governo federal arrecadou R$ 10,4 bilhões em dividendos de empresas estatais no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Tesouro Nacional. A Petrobras foi a principal fonte de receita no período, sendo responsável por 58,7% do montante, o que soma R$ 6,1 bilhões.
Entre 2019 e 2026, a petroleira consolidou-se como a estatal que mais pagou dividendos à União. No acumulado desses anos, o governo federal recebeu R$ 340,5 bilhões, dos quais R$ 158,8 bilhões vieram da companhia, representando 46,6% do total.
O recorde de distribuição ocorreu em 2022, com repasses de R$ 87,0 bilhões, impulsionados pelos lucros das empresas naquele ano. Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, explicou que os ganhos da Petrobras seguem em alta devido à relevância do Brasil como produtor internacional de petróleo, especialmente com a extração no pré-sal desde 2021.
Em contrapartida, os repasses do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal apresentam queda desde 2019. Andrade afirmou que a redução se deve ao endividamento das famílias, que atinge 82,0%, elevando a inadimplência no mercado de crédito.
O diretor da IFI informou que os bancos aumentaram as provisões contra prováveis perdas financeiras. Segundo ele, a atividade econômica mais fria reduz o consumo das famílias e, consequentemente, a lucratividade das empresas.
O governo federal deixou de receber dividendos do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) a partir de 2019, ano em que vendeu as últimas ações ordinárias que detinha na companhia.


