Eleitores do estado da Saxônia-Anhalt vão às urnas neste domingo (6) para eleger o Parlamento regional e o novo governador local. Pesquisas indicam que o partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) pode conquistar entre 40% e 43% dos votos, o que possibilitaria a formação do primeiro governo estadual de ultradireita na Alemanha moderna.
O resultado representaria a quebra de um tabu político desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, já que nenhuma legenda de extrema-direita jamais liderou um estado alemão. A AfD, conhecida por bandeiras anti-imigração, é classificada desde 2023 como uma “organização extremista de direita confirmada” pelo Departamento de Proteção da Constituição da Saxônia-Anhalt.
O candidato da legenda, Ulrich Siegmund, de 35 anos, propõe a criação de patrulhas cidadãs para auxiliar a polícia e a conversão de centros de acolhida de refugiados em centros de detenção. No setor educacional, o partido defende a abolição da inclusão de alunos com necessidades especiais em turmas mistas, a proibição de bandeiras LGBT em escolas e a redução de conteúdos sobre crimes nazistas no currículo escolar.
O pleito é visto como um teste para o governo nacional do chanceler federal Friedrich Merz, da União Democrata-Cristã (CDU), que enfrenta reprovação recorde e economia estagnada. A Saxônia-Anhalt é governada por gestores da CDU desde 2002, mas o atual governador, Sven Schulze, aparece nas pesquisas com 20 pontos percentuais de desvantagem em relação à AfD.
A região, situada na antiga Alemanha Oriental, é o principal reduto da ultradireita no país. O estado possui a menor renda per capita da Alemanha e a expectativa de vida masculina mais baixa do território nacional. Entre 1990 e 2025, a população local caiu de 2,9 milhões para 2,1 milhões de habitantes devido ao êxodo de jovens para o oeste.
Siegmund, que ganhou notoriedade no TikTok durante a pandemia de covid-19, foi apontado por apurações como participante de reuniões secretas para discutir a “remigração” de estrangeiros. O chanceler Merz alertou que a ascensão dos ultradireitistas ao poder pode afugentar investidores, mas a estratégia não reverteu a tendência das pesquisas.


