O ex-procurador da Operação Lava Jato e candidato ao Senado pelo Paraná, Deltan Dallagnol, anexou dezenas de páginas com informações fiscais e bancárias do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, ao seu registro de candidatura. O material foi utilizado em defesa no processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
Os documentos foram obtidos originalmente pela Lava Jato do Rio de Janeiro em 2019 e tiveram a validade anulada posteriormente pela Justiça. O material estava incorporado a um procedimento sigiloso no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Como os advogados de Dallagnol não solicitaram sigilo no processo eleitoral, os dados tornaram-se acessíveis publicamente.
A quebra de sigilo ocorreu por determinação do então juiz Marcelo Bretas, durante investigação sobre suposto desvio de recursos públicos em contratos do escritório de Zanin com a Fecomércio-RJ. A medida atingiu também a esposa e sócia do ministro, Valeska Teixeira Zanin Martins, o advogado Roberto Teixeira, pai de Valeska, e outros familiares.
Zanin recorreu ao STF, questionando a competência da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro e a legalidade das medidas contra escritórios de advocacia. A Segunda Turma da Corte acolheu os argumentos e anulou as decisões de Bretas e os documentos derivados da operação.
Segundo a apuração, relatórios da Receita Federal não apontaram a existência de contas secretas no exterior, valores não declarados ao Fisco, transações suspeitas ou patrimônio ilícito em nome do ministro ou de seu escritório.
Em 2021, Zanin apresentou representação ao CNMP contra Dallagnol, acusando o ex-procurador de repassar clandestinamente seus dados fiscais a investigadores. O procedimento foi arquivado após a exoneração de Dallagnol do Ministério Público Federal no mesmo ano.


