O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, enviou um ofício ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) neste sábado (5) solicitando a responsabilização, inclusive na esfera criminal, dos envolvidos na exposição de seus dados fiscais e bancários em processo de candidatura ao Senado do ex-procurador Deltan Dallagnol.
O documento foi endereçado ao desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, presidente do TRE-PR. Zanin também notificou as presidências do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o ocorrido. A exposição dos dados teria ocorrido após a defesa de Dallagnol anexar os documentos para contestar uma impugnação da candidatura.
As informações foram obtidas em 2019, período em que Dallagnol chefiava a Operação Lava Jato no Paraná e Zanin atuava como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A quebra de sigilo foi determinada na época pelo juiz Marcelo Bretas, no Rio de Janeiro, para apurar supostos desvios de verbas do Sistema S. Dados da esposa do ministro, Valeska Teixeira Zanin Martins, também foram expostos.
A defesa de Deltan Dallagnol informou que as informações constavam em reclamações abertas pelo próprio Zanin contra o ex-procurador no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Os advogados afirmaram que o material era relevante para comprovar a regularidade da candidatura e que a apresentação integral visava a transparência do processo perante a Justiça Eleitoral.
De acordo com a defesa, as quebras de sigilo contra o ministro e sua esposa foram anuladas pela Justiça Federal por falta de provas, e as reclamações no CNMP foram arquivadas sem punições. O texto afirma que não houve intenção de expor dados, mas de exercer o direito político de candidatura.
A desembargadora Vanessa Jamus Marchi, relatora do registro de candidatura de Dallagnol, impôs novo sigilo sobre os documentos neste sábado (5), após a revelação da exposição dos dados de Zanin.


