O custo para morar de aluguel no Brasil subiu 9,28% nos últimos 12 meses, segundo o Índice FipeZAP. Apesar da alta, que supera a inflação, a inadimplência no mercado de locação recuou para 3,05%, o menor índice registrado desde junho de 2023, conforme dados da plataforma Superlógica.
A queda na inadimplência, que foi de 0,71 ponto porcentual em relação a julho de 2025, é atribuída à priorização do pagamento do aluguel para evitar despejos. Claudio Felisoni, professor e coordenador de projetos da FIA Business School, explica que os inquilinos tendem a atrasar outras contas, como cartões de crédito, para manter a moradia.
O rigor na seleção de novos locatários também impacta os números. Com a alta demanda, proprietários aplicam com mais vigor a exigência de renda três vezes superior ao valor do aluguel. Segundo Felisoni, esse filtro inibe pessoas com maior risco de calote, resultando em um perfil de inquilino mais solvente.
A taxa de inadimplência é inferior a 4% em imóveis com custo entre R$ 1 mil e R$ 8 mil. O maior volume de dívidas concentra-se em locações abaixo de R$ 1 mil ou acima de R$ 13 mil. Manoel Gonçalves, diretor de negócios do Grupo Superlógica, afirma que famílias de baixa renda sentem mais o impacto de gastos com alimentação e transporte, enquanto o público de alta renda sofre com a carga tributária e o crédito caro.
No ranking de preços, Barueri detém o metro quadrado mais caro do País, cotado em R$ 72, impulsionado pelo segmento de luxo em Alphaville. A capital paulista aparece na sequência, com média de R$ 65,18. Recife, Belém e Florianópolis completam a lista dos custos mais elevados.
A maior valorização entre as capitais ocorreu em Aracaju, onde o preço médio de locação subiu 25,78% no último ano. Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, atribui o salto à expansão urbana e à consolidação de novos eixos imobiliários com melhor infraestrutura na capital sergipana.


