A Estrada Francisco da Cruz Nunes e a Alameda São Boaventura são as vias com maior índice de acidentes de trânsito em Niterói. Segundo dados da Empresa Pública de Trânsito e Transportes (NitTrans), a primeira registrou 160 ocorrências e a segunda 111 em 2025, com a contagem encerrada em outubro daquele ano.
A concentração de sinistros não se limita a esses dois eixos. Ao todo, 20 corredores viários respondem por 45,6% dos registros de acidentes da cidade, sendo classificados como prioritários para ações de segurança. Niterói possui cerca de 500 mil habitantes e uma frota de aproximadamente 304 mil veículos.
Em 2025, a cidade somou 2.328 colisões, 639 quedas, 430 atropelamentos e 36 capotagens. No ano anterior, os números foram de 2.114 colisões, 640 quedas, 422 atropelamentos e 62 capotagens. Em 2024, a Estrada Francisco da Cruz Nunes teve 175 ocorrências e a Alameda São Boaventura registrou 109.
O professor Levi Salvi, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que o traçado das vias favorece velocidades acima do limite, já que não possuem redutores físicos e a cidade carece de fiscalização eletrônica. Salvi defende que o investimento em transporte público de qualidade é parte da solução para reduzir a dependência do automóvel.
Nelson Godá, presidente da NitTrans, disse que a posição das vias no ranking se deve ao fato de serem extensas, com grande fluxo de veículos e pedestres, além de servirem como ligação entre municípios. A prefeitura criou um Plano de Ações Prioritárias que inclui reforço na fiscalização, intervenções em cruzamentos e melhorias em calçadas.
O município terá apoio técnico do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por meio do projeto Visão Zero. A iniciativa visa cruzar dados de acidentes com as condições das ruas para orientar mudanças em sinalização e infraestrutura. A meta da gestão municipal é reduzir em 40% as mortes no trânsito até 2030.


