Empresas brasileiras estão alterando modelos de distribuição e logística para manter a competitividade no mercado dos Estados Unidos diante de novas sobretaxas. O impacto já é visível nas exportações do primeiro semestre de 2026, que recuaram 13% e somaram US$ 17,4 bilhões, o menor patamar para o período desde 1997.
A carga tributária adicional, vigente desde agosto de 2026, soma 37,5% — composta por uma tarifa de 25% específica ao Brasil e uma sobretaxa de 12,5% —, além do imposto de importação original, que pode chegar a 34%. O cenário levou a uma queda de cerca de 50% na procura de marcas brasileiras interessadas em iniciar operações nos EUA nos últimos 18 meses, segundo Diego Sampaio, CEO da Globalfy.
Para evitar a perda de margem ou a necessidade de reajustar preços, companhias que já atuam no país migraram do modelo de exportação direta (cross-border) para a criação de subsidiárias americanas. Em uma simulação da Globalfy, a carga tributária de um vestido vendido por US$ 100 cairia de US$ 53,50 no modelo direto para US$ 13,38 via subsidiária.
Setores de moda, cosméticos, móveis e acessórios são os que mais buscam essa reestruturação. Camila Moura, diretora de Negócios Internacionais da Amcham Brasil, afirmou que a pergunta das empresas deixou de ser se devem exportar, mas qual o modelo mais competitivo para atender o mercado. Segmentos de aço, metais, máquinas e madeira apresentam exposição relevante às tarifas.
A abertura de empresas nos EUA pode ser feita remotamente em um prazo de 20 a 30 dias, exigindo passaporte e a emissão do EIN junto ao Internal Revenue Service (IRS). Os custos anuais de manutenção para estruturas do tipo Limited Liability Company (LLC) variam entre US$ 62, em Wyoming, e US$ 300, em Delaware.
Enquanto isso, o governo brasileiro acionou a Lei da Reciprocidade Econômica no último mês. A medida abre caminho para contramedidas às sobretaxas impostas pelos Estados Unidos, embora as negociações bilaterais entre os dois governos continuem em andamento.


