As despesas financeiras de um grupo de 15 empresas de varejo e consumo mais pressionadas subiram de 5,1% da receita líquida em 2018 para 12,3% em 2026, segundo estudo da consultoria Málaga & Associados. O índice supera a margem operacional de referência de 5,3% utilizada no levantamento.
A análise, assinada por Flávio K. Málaga e Victor Marques, examinou demonstrações financeiras de 30 companhias listadas na B3 entre 2018 e 2026, abrangendo setores como turismo, energia e agronegócio. No grupo das 15 empresas menos pressionadas, a relação de despesas financeiras também cresceu, passando de 1,6% para 3,1% no período.
O estudo indica que a deterioração financeira não decorre apenas da taxa Selic. A consultoria afirmou que a diferença entre os grupos reside na estrutura de capital herdada e no modelo de negócio. Em 2026, as despesas financeiras do grupo mais pressionado variaram entre 4,8% e 23% da receita líquida.
Entre os exemplos citados, a CVC registrou salto de 7,7% para 23% nas despesas financeiras sobre a receita. A Marisa subiu de 2,7% para 19% e o Grupo Casas Bahia passou de 2,5% para 8,3%. No grupo menos pressionado, a Lojas Renner registrou 1,6% de despesa financeira contra uma margem operacional média de 10%.
A Málaga & Associados defende que empresas em recuperação não devem basear seus planos em juros excepcionalmente baixos, como os de 2019 a 2021. A consultoria estima que a dívida pública bruta possa atingir 100% do PIB nos próximos quatro anos, o que limitaria a flexibilização monetária.
Para as companhias em estresse, o relatório sugere a redução da alavancagem por meio de venda de ativos, aporte de capital dos sócios, conversão de dívida em participação, renegociação de prazos ou recuperação judicial. Em agosto, o Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial para reestruturar passivos de R$ 17,3 bilhões.


