O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou a primeira semana de setembro com alta de 5,4%, a maior valorização semanal desde janeiro. O resultado recupera parte das perdas registradas na primeira metade de agosto, impulsionado por dados de desaceleração econômica e projeções sobre o cenário eleitoral.
A leitura de desaceleração após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e a previsão de eleições acirradas motivaram a alta. Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, afirmou que os indicadores ficam voláteis conforme pesquisas demonstram competitividade no segundo turno. Segundo Garcia, o mercado vê na oposição um perfil mais propenso a realizar ajustes fiscais devido ao patamar da dívida pública.
Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, disse que os investidores avaliam quem teria disposição para implementar reformas estruturais nos gastos do governo. Para a economista, a continuidade seria vista como um governo com menor comprometimento fiscal. A expectativa é que reformas nesse sentido reduzam a Taxa Selic, que atualmente está em 14% ao ano.
Rodrigo Ashikawa, economista da Principal Asset Management, explicou que juros menores reduzem a pressão sobre as companhias listadas e estimulam o consumo da população. O Bank of America apontou que a alta também foi causada por investidores que apostavam na queda dos papéis brasileiros e precisaram desfazer suas posições. Em dólares, o índice subiu mais de 7%, enquanto o índice de mercados emergentes MSCI EM caiu 1,2%.
O dólar fechou a semana com alta de 0,5%, cotado a R$ 5,13, após dados de emprego nos Estados Unidos virem acima do esperado. Analistas do banco Citi indicam que a moeda deve seguir volátil até o pleito, guiada pelas pesquisas eleitorais. Ashikawa atribuiu o patamar atual do câmbio ao preço elevado do petróleo e ao carry trade, operação em que investidores buscam a diferença entre juros baixos em outros países e a taxa elevada no Brasil.


