O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL) realizaram, nesta sexta-feira (4), o primeiro ato conjunto de campanha desde o início do período eleitoral. Durante eventos em São Carlos, Tarcísio manteve distanciamento físico e retórico do candidato à Presidência para evitar desgastes em sua busca pela reeleição.
A agenda na cidade, localizada a 230 km da capital, incluiu a visita a um centro de tecnologia e um encontro com apoiadores em uma avenida central. Apesar da expectativa de assessores por imagens conjuntas, o governador chegou aos locais em horários diferentes do senador e evitou abraços ou apertos de mão durante o discurso no trio elétrico.
Tarcísio limitou-se a pedir votos para Flávio Bolsonaro, citando a gratidão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não mencionou projetos específicos do senador para o país. Segundo a apuração, a estratégia visa proteger o governador do chamado “voto Tarula”, já que pesquisas indicam que ele atrai parte do eleitorado lulista no estado.
O governador também modulou as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto a militância gritava “Fora, Moraes”, Tarcísio permaneceu em silêncio, afirmando apenas que a indignação com a Corte deve se conciliar com a esperança. A postura contrasta com a de Flávio Bolsonaro, que convocou a população para ir às ruas no dia 7 de setembro e pediu a saída do ministro Alexandre de Moraes.
A moderação ocorre antes do evento de 7 de Setembro na Avenida Paulista. Pessoas próximas ao governador afirmam que ele se arrepende do tom radical utilizado no ano passado e pretende usar palavras neutras na próxima segunda-feira, sem citar nominalmente membros do tribunal.
Questionado sobre a possibilidade de Tarcísio sucedê-lo no Palácio do Planalto em um eventual mandato, Flávio Bolsonaro classificou o governador como um dos grandes quadros do grupo e manifestou a expectativa de que ele seja reeleito no primeiro turno em São Paulo.


