A preservação da massa muscular é apontada por médicos como fator determinante para a longevidade, a inteligência e a sobrevivência em casos de doenças graves. A baixa massa muscular esquelética aumenta o risco de morte por todas as causas em 57%, índice que chega a 160% quando associado à obesidade.
Os músculos são classificados como órgãos endócrinos que produzem centenas de proteínas, chamadas miocinas, que funcionam como hormônios. Essas substâncias interagem com o fígado, pâncreas, sistema imunológico e cérebro. Segundo Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a musculatura deve ser vista como um patrimônio de saúde.
A relação com a capacidade cognitiva é evidenciada por um estudo da Universidade de Sydney, que demonstrou que a musculação aumenta o tamanho e a função do córtex posterior cingulado. Essa área cerebral está ligada à empatia, memória emocional e autoconsciência, sendo a primeira estrutura a atrofiar em pacientes com Alzheimer.
A perda de massa muscular, chamada de sarcopenia, é descrita como uma epidemia global impulsionada pelo sedentarismo. O declínio começa por volta dos 30 anos, com perdas anuais de 0,8%, acelerando para até 2% após os 50 anos. Um estudo na GeroScience indica que a perda de 15% na força do aperto de mão em pessoas acima de 60 anos sinaliza lentidão na caminhada e maior risco de quedas.
Em situações críticas, como internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), a musculatura serve como reserva de aminoácidos para manter órgãos vitais. Felipe Ribeiro Henriques, diretor médico do Complexo Hospitalar de Niterói, explica que pacientes em UTI podem perder até 30% da massa muscular nos primeiros 10 dias. Em casos de choque séptico, o corpo degrada o tecido muscular para suprir gastos energéticos que podem chegar a 5 mil calorias diárias.
A falta dessa reserva proteica compromete o prognóstico hospitalar. De acordo com Henriques, pacientes com pouca massa muscular podem não sobreviver ou apresentar sequelas permanentes, mesmo após a cura da doença que motivou a internação, pois o organismo não possui a poupança necessária para a recuperação.


